Este espaço é dedicado a uma série especial de depoimentos das pessoas que contribuíram e continuam fazendo parte da história do Projeto Vocabulário Político da Antiguidade. Para celebrar esses 10 anos, a professora Priscilla Gontijo, coordenadora do projeto, também compartilhou no evento suas memórias, reflexões e experiências à frente de uma iniciativa que nasceu do compromisso com a educação, a universidade pública e a valorização do ensino de História Antiga.
Em seu depoimento, ela relembra as conquistas construídas coletivamente, destacando a integração entre ensino, pesquisa e extensão, a formação de professores e o compromisso com a educação para a cidadania e a democracia. Com afeto e gratidão, a coordenadora reafirma o significado do projeto em sua trajetória acadêmica, definindo-o como seu “xodó” e celebrando os sonhos compartilhados por todos que ajudaram a construir essa história ao longo da última década.
“O projeto ampliou minhas possibilidades de pensar o ensino de História e marcou definitivamente minha trajetória como docente e pesquisador.”
— Brenno Miguel Miranda Machado (2022)
“Quando ingressei no PROLICEN – Vocabulário Político da Antiguidade, estava no 2° período da Graduação em Licenciatura em História, recém ingressante do curso e querendo aprender as mais variadas possibilidades de pesquisa, uma delas que me chamou atenção foi o olhar para o Ensino de História a partir da Antiguidade Política. Hoje, discente do mestrado em História pelo PPGH na mesma instituição da graduação, reflito o quão foi importante para mim fazer parte desse projeto. Foi nele que ministrei pela primeira vez uma aula de história, para turmas do primeiro ano do Ensino Médio do Centro Educacional de Inovação e Tecnologia (INOTECH), e também foi realizada a aplicação do jogo Demokratia, desenvolvido pelo colega Isaias Junior. Essa atuação foi de suma importância, pois reafirmou o desejo de atuar na educação daquele que, ainda era recente ingressante do curso de História.
Além disso, o dia-a-dia no projeto foi fundamental para minha formação: em nossas reuniões e discussões, foi possível realizar o desenvolvimento do jogo Supertrunfo: formas de governo. O olhar para a elaboração de materiais didáticos fez com que os leques de possibilidades para o ensino de História Antiga se ampliasse, reforçando o diálogo entre as perguntas do presente para o passado, em busca de um ensino crítico e cidadão, premissas que me marcaram e acompanham até hoje o meu ser docente e pesquisador em sala de aula.”


“Estudar as fontes clássicas com a perspectiva de apresentá-las ao ensino básico foi fundamental para minha visão de uma educação verdadeiramente democrática, onde o acesso à história não é restrito a ninguém.”
— Arthur Vicente de Medeiros (2021-2023)
“Entrei no Projeto Prolicen Vocabulário Político da Antiguidade em 2021, durante a pandemia. Lembro que, naquele momento de incertezas, ter a chance de voltar aos estudos dos clássicos foi uma forma de reanimar meu prazer com o curso de História. Minha primeira atividade foi organizar materiais sobre Cícero e preparar comentários sobre sua obra Da República. Estudar essa fonte clássica com a perspectiva de apresentá-la para alunos do ensino básico foi fundamental para minha perspectiva de uma educação verdadeiramente democrática, em que o acesso à história não está restrito a qualquer público.
Após o material de Cícero nosso trabalho foi direcionado para o desenvolvimento do jogo Super Trunfo: Formas de Governo. E, nesse desenvolvimento, tive as minhas primeiras experiências em sala de aula. No ciclo de aplicações e correções feitas no jogo entendi como funcionava a docência e conseguia compartilhar essas experiências com os outros membros do projeto. Foram experiências muito marcantes e que foram fundamentais para me tornar um profissional mais aberto à novos métodos de ensino e criação de materiais didáticos. Carrego comigo os aprendizados que tive durante o projeto para toda sala de aula que participo e, mesmo com os apertos, mantenho em minha mente a esperança de uma formação cidadã para qualquer aluno.”


“Pensar a política em uma sociedade que banaliza a participação popular é, no mínimo, revolucionário.“
— Lívia Maria da Silva (2016)
“Pensar a política em uma sociedade que banaliza a participação popular é, no mínimo, revolucionário. Nesse sentido, desde 2016, o Projeto Vocabulário Político da Antiguidade tem revolucionado não só quanto às reflexões para o exercício da cidadania, como também em relação a direcionar o estudante de Licenciatura para uma prática docente sólida e crítica. Ao participar do Projeto, eu pude usufruir da sua interdisciplinaridade, quando foi possível aplicar os conhecimentos de Estudos Clássicos na História. Sem dúvidas, ver a aplicação dos estudos projetada em uma prática real docente é uma injeção de ânimo para alunos e professores que acreditam na educação transformadora.
Hoje, dez anos depois, é uma grande alegria testemunhar não só os progressos do Projeto, como também o constante preparo para a vida docente e para o estímulo ao exercício da cidadania. Desejo excelentes produções aos colegas e professores!”

“A reflexão crítica em torno da Antiguidade é basilar para a reflexão e atitude crítica perante o hoje“
— Lucas Guedes Pereira Arnaud Arroxelas (2016)
“Ainda no ano de 2016, época em que era monitor da disciplina de História Antiga II, ingressei como convidado no projeto, vendo com grande felicidade os primeiros frutos da iniciativa, com especial destaque ao livro Vocabulário Político da Antiguidade. Os ventos da vida e da academia me conduziram a outras paragens e me encaminhei para a investigação acerca da Época Moderna, área na qual atualmente desenvolvo meu doutoramento. Apesar da guinada de rumos, a experiência do Prolicen foi fundamental para mim.
Em termos de trajetória, as atividades realizadas, as discussões interdisciplinares e a produção dos textos foram essenciais para um maior amadurecimento acadêmico e enquanto historiador. Para isso, contribuiu muito a estrutura do projeto, que articula bem os três pilares componentes da universidade brasileira e que, de certo modo, estão também no que consiste a atividade do historiador.
Além de um maior conhecimento sobre o período e a prática docente relativa a ele, aquela experiência possibilitou ressignificar meu entendimento a respeito de muitos aspectos da Antiguidade. A partir disso, passei a ter uma certeza: a reflexão crítica em torno da Antiguidade é basilar para a reflexão e atitude crítica perante o hoje.”
