A internet e a ensino-aprendizagem

A INTERNET E A ENSINO-APRENDIZAGEM

Desafios no ambiente escolar a partir da prática social dos estudantes, uma geração conectada.

Qual é o perfil de aluno que encontramos nas salas de aula, particularmente nessa geração? Quais possibilidades teremos nas escolas em que trabalharemos? Que tipo de professor gostaríamos de ser? Ao traçar um panorama acerca dessas problemáticas, nos encontramos face a um dilema que se perpetua pela educação brasileira desde, no mínimo, a virada do século: a relação entre o alunado e as tecnologias.

Quando, no início do século XXI, algumas escolas tiveram a iniciativa de introduzir computadores nas salas, bibliotecas e centros de informática, observou-se um padrão no que diz respeito ao seu mau uso. Esses eram empregados para realizar exercícios de fixação, baseados na repetição mecânica do “copia e cola”. Ou seja, dava-se uma roupagem tecnológica para práticas muito antigas (NASCIMENTO, 2018, p. 24), através do que Maria Auxiliadora Moreira dos Santos Schmitz aponta como “estratégias para preencher ausências de professores ou como recursos para tornar as aulas menos enfadonhas” (2002, p. 64).

Passadas duas décadas, essa ainda é uma aplicação frequente. Hoje, essa situação ganha novos contornos e camadas. Em 2021, um relatório divulgado pela Reuters Institute Digital News demonstra que 40% dos adolescentes e jovens utilizam o TikTok e o Instagram como ferramentas de busca (ESTADÃO, 2023). Apesar de não ser um costume, que pode ter algum problemas – a exemplo da confiabilidade da fonte de informação –, restrito à geração Z, é inegável o impacto desse hábito em uma idade em que o cérebro ainda está em formação em termos biológicos.

Conforme Éder Dias Nascimento, a partir dessa prática cria-se um perfil de leitor marcado pelo consumo de informações superficiais, “miniaturizadas, simplórias e ricamente imagéticas” da internet, correndo o risco de “em muitos casos, [encontrarmos] um tipo de protagonista suscetível ao envolvimento em situações como plágio, leitura fragmentária das informações e a assimilação de fake news e de todo tipo de pseudociência espalhada pelo ciberespaço.” (2018, p. 27). Prato cheio para os revisionistas históricos online.

Dessa forma, estudantes das mais variadas idades estão aprendendo através de fontes de informações que eles julgam confiáveis, “neutras” e verdadeiras, e que, de fato, são anti ou pseudocientíficas, pouco canônicas, cheias de pontos de vista pessoais e senso comum, de reducionismos pautados em discursos simplificadores, apenas remotamente baseadas em conteúdo racional (RÜSEN, 2010b, p. 95-97). E isso pode ser facilmente observado nos últimos anos, na forma como os professores de história têm sido deslegitimados e questionados por alunos a partir de conteúdos disponíveis na internet.

Diante disso, verifica-se que, em decorrência das tecnologias, uma nova geração de alunos propriamente do século XXI se formou, desafiando professores formados em academias do século XX que não se atualizaram e que, ademais, frequentam escolas apegadas a métodos e recursos distantes da realidade social do discente (HAHN, 2016; ALMEIDA, 2022). Precisamos partir desse panorama para discutir a melhoria da qualidade da educação no Brasil, e assim debater sobre a inserção e o uso adequado das novas tecnologias de educação e comunicação (NTIC).

Para Vera Maria Ferrão Candau (1979), a associação entre tecnologia e educação deve vir no sentido de moldar a primeira em função da segunda, e não o contrário. (1979, p. 62). Ou seja, o ensino deve valer-se de recursos tecnológicos aprimorados se quiser resolver a legítima exigência dos alunos de modernizar-se. É preciso ressignificar a experiência da aprendizagem para os alunos e isso necessariamente passa por proporcionar elementos e ferramentas através das quais os alunos possam ampliar e qualificar sua capacidade reflexiva e interpretativa. (HAHN, 2016).

Diante do exposto, confrontamo-nos com um dilema persistente na educação brasileira: a relação entre alunos e tecnologia, para além do espaço escolar. Desde a virada do século, testemunhamos a evolução do mau uso das ferramentas digitais, como a simples reprodução de práticas antiquadas em novos formatos. Hoje, com a geração Z imersa em plataformas como TikTok e Instagram, surge uma nova camada de desafios, moldando um perfil de aluno marcado por uma relação superficial com a informação e uma suscetibilidade a falsidades. Neste cenário tecnológico, é imperativo utilizar recursos tecnológicos para promover uma experiência de aprendizagem enriquecedora, capacitando os alunos a desenvolverem pensamento crítico e reflexivo. Ao enfrentar esse desafio, os professores, em esforço conjunto com toda a comunidade educacional têm a oportunidade de moldar uma nova era de educação, trazendo abordagens pedagógicas inovadoras, mais adaptadas às demandas da sociedade contemporânea.

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